Após chocar o publico em sua
estréia nos cinemas com o bizarro last house on the left (aniversário macabro)
em 1972, Craven amargou alguns anos na geladeira e constantemente perdendo
projetos devido ma fama criada pela veracidade e selvageria mostrada em seu 1º
filme, foi então que em 1977 o produtor Peter Locke resolveu apostar em Wes
Craven um novo projeto de horror mas com a condição que se passasse no deserto.
Após algumas análises e pesquisas, em 2 meses Craven
concluiu o roteiro e apresentou a Locke que satisfeito captou um fundo de 230
mil dólares e então começava a escalada de atores e as filmagens de ‘quadrilha
de sádicos’ no deserto de Mojave na Califórnia.
Após os créditos iniciais
somos apresentados a um local de clima árido ao estilo das regiões isoladas do
Texas, em um velho posto de gasolina assistimos ao dialogo de duas figuras
centrais da trama: o velho Fred aparentemente o dono do posto e uma garota
chamada Ruby, logo nos primeiros diálogos percebemos que a garota trata-se de
uma espécie de nativa da região, suja e coberta por pele de animais a garota
resmunga ao velho querer viver uma vida normal e é repreendida com Fred
resmungando que a garota e outros de sua espécie não passam de animais
selvagens, neste ponto podemos observar um certo parentesco ou familiaridade
das duas figuras, logo o dialogo seria interrompido com a chegada de clientes
no posto (o que não deve ser corriqueiro naquele buraco).
Novamente buscando o pesadelo
em uma raiz da família norte-americana como já havia sido em last house on the
left, Craven agora adentra em uma viagem interestadual em um carro/thiller
chefiado pelo patriarca Carter ‘big bob’(Russ Grieve) e sua bela família
composta pela esposa Ethel (Virginia Vincent) e os filhos: a caçula Brenda
(Susan Lanier), o garoto Bobby (Robert Houston), e a primogênita Lynne (dee
Wallace Stone) que trazia o marido Doug Wood (Martin Speer) e a filha
recém-nascida katy alem da família levar na viagem os cães: bela e fera (sim,
um casal canino), o que poucos imaginariam é o quanto o cachorro de nome fera
seria importante no roteiro escrito por Wes Craven.
Após abastecer a família
segue viagem normalmente apesar da agitação dos cachorros e de todos sentirem
que estavam sendo observados por mais alguém, o velho Fred orienta para que a
família siga a estrada central porem o velho e astuto ex-xerife da policia big
bob ignora a orientação e resolve cruzar a precária estrada secundaria para o
azar de todos ali.
Após seguir pela estrada
secundaria a família é surpreendida com a constatação de que aquela zona é
utilizada para testes nucleares pelo governo americano, a distração com a
passagem de aviões da força aérea faz com que big bob acabe saindo da estrada e
batendo o carro/thiller em alguns arbustos.
Neste momento somos
apresentados a questão X do longa: uma família composta por 7 pessoas perdidos
no meio do deserto e o pior: vemos tomadas de alguém observando tudo através de
um binóculos ou seja: eles não estão sozinhos. Logo big bob e o genro Doug se
dividem para buscar ajuda enquanto o resto da família fica a espera do socorro
no thiller, claro que big bob carrega seu revolver e um reserva para
emergências que ficaria com o garoto Bobby para proteção das mulheres da
família, mas antes a matriarca faria questão que todos rezassem juntos para o
bem da família, mais uma das insinuações de Craven em ressaltar a tradicional
áurea sagrada dos valores acerca da família americana já que o que viria a
seguir era tamanha brutalidade na época que chocaria até os mais acostumados
com o cinema de horror americano na época.
Tomando conta das coisas no
thiller o garoto Bobby vai atrás da cadela bela que foge deserto afora, após
subir em uma colina o garoto depara-se com os restos da cadela estripados nas
rochas, chocado sai correndo dali certo de que aquelas colinas abrigam seres
bem piores do que simples animais selvagens, neste mesmo momento porem longe
dali Big Bob reencontra o velho posto de Fred e logo parte a procura do velho
que se encontrava pronto para se matar nos fundos do posto, após uma rápida
discussão Fred explica a Big Bob que 30 anos atrás sua esposa geriu um filho
que pesava 10 kilos e era coberto por pelos em todo o corpo, os anos se
passaram e a criança que mais parecia um animal passava a matar animais e agir
de modo estranho, certo dia o garoto supostamente botou fogo em sua casa
matando sua esposa e o filho primogênito porem ficando intacto aos danos,
tomado de ódio Fred acertou o garoto inúmeras vezes com uma barra de ferro e
depois o jogou no deserto, porem o que ele não esperava era que aquela criança
se criaria nas colinas e geraria sua própria família que Fred ainda ajudava
mantendo o sentimento de família mesmo que bem de longe.
Segundos após finalizar sua
triste historia o Velho é puxado por um homem enorme que mais parece um animal,
o homem era Júpiter o filho rejeitado de Fred e realizava a vingança planejada
anos a fio, Big Bob assustado assistindo a cena resolve encarar a fera porem
acaba dominado e logo teria um destino trágico.
De volta ao Thiller, o garoto
Bobby chega ao anoitecer perplexo com o que viu nas colinas porem mantém o
silencio para não assustar as garotas, logo doug também chega com diversas
bugigangas encontradas em um depósito de carros abandonados próximo dali (uma
analogia as diversas vitimas que foram mortas pela família de canibais), após
algum tempo um clarão se ascende perto dali, quando Doug e Bobby correm para
verificar encontram o velho patriarca Big Bob queimando vivo preso por pregos
em arvores, uma das cenas mais chocantes de um longa na época, perplexos e
abalados os familiares em vão tentam apagar as chamas de bob com um extintor,
se não bastasse tamanha brutalidade os filhos de Júpiter: o defeituoso Pluto (Michael
Barryman) e o sádico assassino Mars (Lance Gordon) aproveitando a deixa
adentram no thiller e em mais uma cena de brutalidade matam a Srta. Carter e
Lynne a filha mais velha, há também nesta cena uma analogia de um estupro
envolvendo a garota Brenda no quarto do thiller, cena que provavelmente recebeu
cortes devido á censura da época enfim, alem de tudo isso os malfeitores
aproveitaram para saquear o thiller, filar o passarinho da família a sangue
frio e seqüestrar o bebe Katy que serviria como refeição para a família
canibal.
Neste momento Quadrilha de
sádicos chega no seu clímax mais intenso onde os sobreviventes do massacre: o
garoto Bobby sua irmã Brenda, Doug e o cão Júpiter (responsável por boa parte
do que viria a seguir) se vêem tomados de revolta e desespero devido ás
trágicas perdas, com uma arma nas mãos (a outra fora utilizada e levada por
Mars) e tomados de ódio resta ao que sobrou dos Carter resgatar a pequena Katy
e buscar a tão desejada vingança a qualquer custo.
A frase que promoveu o longa
na época de seu lançamento resume o que vemos no filme:
Uma típica família americana. Eles não queriam matar. Mas também não
queriam morrer. Algo que traduz exatamente o sentimento dos protagonistas de
Quadrilha de sádicos que forçadamente passam por um extremo teste psicológico
que mudaria completamente tudo o que aquela família tinha enraizado de valores
e princípios alterando completamente seus paradigmas conquistados no convívio
de anos e anos em sociedade para tornarem-se tão cruéis quanto àquela família
de canibais selvagens que cruzariam o seus caminhos, o filme marca uma sombria época de ouro do horror nos cinemas
e foi a prova de que todos estavam diante de um promissor cineasta e roteirista
hoje mais conhecido por projetos mega-comerciais como o à hora do pesadelo
original e a trilogia panico, Quadrilha de sádicos trata-se de um clássico do
gênero e apesar de ter sido ultrapassado na violência com o passar dos anos
merece ser conferido por quem gosta de um bom e velho entretenimento.
Observações interessantes de saber:
- No ano de 1985 Wes Craven novamente ao lado de Peter
Locke aceitou filmar quadrilha de sádicos parte 2, o filme é terrível e sem
nexo algum, trata-se da maior bomba no currículo do diretor que admitiu ter
filmado a seqüência apenas por dinheiro.
- Em 2006 o francês Alexandre Aja concebeu de forma
fantástica o remake deste Quadrilha de sádicos com o titulo nacional de ‘viagem
maldita’, trata-se de um raríssimo caso onde o remake ultrapassa a obra
original.
- Quadrilha de sádicos até o presente
momento não foi lançado em ou blue ray ou DVD no Brasil, o que existe é o VHS
velhíssimo da extinta look vídeo, milagre é acha-lo.
(The
Hills Have Eyes, EUA 1977). 89 minutos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Produção: Peter Locke
Música: Don Peake
Fotografia: Eric Saarinen
Edição: Wes Craven
Maquiagem: Dave Ayres; RaMona Fleetwood; Karen Grant; Ken Horn; Donald Mulderick
Figurino: Joanne Jaffe
Direção de Arte: Robert A. Burns
Efeitos Especiais: Greg Auer; John Frazier
Elenco: Susan Lanier (Brenda Carter); Robert Houston (Bobby Carter); Martin Speer (Doug Wood); Dee Wallace-Stone (Lynne Wood); Russ Grieve (Big Bob Carter); John Steadman (Fred); James Whitworth (Jupiter); Virginia Vincent (Ethel Carter); Lance Gordon (Mars); Michael Berryman (Pluto); Janus Blythe (Ruby); Cordy Clark (Mama); Brenda Marinoff (Katy); Peter Locke (Mercury); Flora (Beauty); Striker (The Beast)
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Produção: Peter Locke
Música: Don Peake
Fotografia: Eric Saarinen
Edição: Wes Craven
Maquiagem: Dave Ayres; RaMona Fleetwood; Karen Grant; Ken Horn; Donald Mulderick
Figurino: Joanne Jaffe
Direção de Arte: Robert A. Burns
Efeitos Especiais: Greg Auer; John Frazier
Elenco: Susan Lanier (Brenda Carter); Robert Houston (Bobby Carter); Martin Speer (Doug Wood); Dee Wallace-Stone (Lynne Wood); Russ Grieve (Big Bob Carter); John Steadman (Fred); James Whitworth (Jupiter); Virginia Vincent (Ethel Carter); Lance Gordon (Mars); Michael Berryman (Pluto); Janus Blythe (Ruby); Cordy Clark (Mama); Brenda Marinoff (Katy); Peter Locke (Mercury); Flora (Beauty); Striker (The Beast)
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