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sexta-feira, 28 de março de 2014

SEXTA-FEIRA 13 PARTE 2 (1981)

A TRANSFORMAÇÃO DE JASON: DO GAROTO VITIMA DE AFOGAMENTO, PARA UM SELVAGEM ASSASSINO HABITANTE DAS FLORESTAS DE CRYSTAL LAKE!


Após o estrondoso sucesso de “sexta-feira” 13 não demoraria para que a Paramount encomendasse-se uma sequencia ao diretor Sean Cunningham e sua equipe que idealizaram o 1º filme, o problema foi que o diretor tinha a ideia de transformar sexta-feira 13 em uma franquia com filmes sendo lançados anualmente, porem com histórias completamente diferentes e sem nenhuma ligação com o filme antecessor, projeto que logo de cara foi reprovado pela Paramount, com a recusa do estúdio e ainda no calor do sucesso de “sexta feira 13” Sean Cunningham preferiu abandonar o projeto da sequencia, porem a Paramount que já tinhas os direitos de franquia nos EUA e haverá acabado de comprar os direitos de distribuição internacionais para a produção de sequencias da franquia não desistiria da ideia de lançar um novo sexta-feira 13 partindo-se da história original, foi então que Steve Miner, um dos produtores associados do filme original assumiu a direção e tomou frente do projeto de sexta-feira 13 parte 2.
Todos haviam chegado num consenso de que o mais coerente seria emergir das cinzas (ou do lago) o pobre garoto Jason Vorhees para que o mesmo colocasse em pratica um plano de vingança pelo que fizeram a sua mãe no primeiro filme, porem a ideia foi repugnantemente abominada pelos idealizadores do primeiro filme, a maioria achava que não iria pra frente devido á abordagem dada aos personagens no filme original, e de fato “sexta feira 13” foi idealizado de forma a não abrir precedentes para sequencias diretas, já que a única cena em que Jason aparece trata-se de um sonho da personagem Alice (Adrienne King) embora a ultima cena onde aparece o rio borbulhando deixe uma sombra de duvidas no publico, Ainda assim, isso fazia parte do clima de mistério e suspense que Sean Cunningham e Victor Miller planejaram para o filme.
 Steve Miner que acumulará as funções de diretor e produtor de sexta-feira 13 parte 2 teve de lidar com a ausência de boa parte dos talentos do primeiro filme, seguindo a direção de Cunninghan, o roteirista Victor Miller também preferiu não ter qualquer tipo de envolvimento com á sequencia assim como o maquiador Tom Savini, a parte boa era que quase a totalidade da equipe técnica do primeiro filme como câmeras e assistentes de direção e fotografia retornariam para a sequencia, assim como Harry Manfredini comporia novamente a trilha sonora, o roteiro foi escrito as pressas por Ron Kurz e Phil Scuderi, entusiastas da ideia de Jason como o grande vilão do filme.
Sexta feira 13 parte 2 inicia em pacato bairro americano, em uma noite quando vemos uma criança retornando para sua casa aos chamados da mãe, em seguida já acompanhamos os passos do vilão andando pelo bairro e parando fixo em frente a uma casa, na sequencia já é mostrada a heroína do primeiro filme, Alice (Adrienne King), ainda claramente atordoada e tentando recomeçar a vida após os acontecimentos vividos no 1º filme, após algum suspense Alice abre à geladora e encontra a cabeça de Pamela Vorhees que haverá decepado meses antes, na sequencia é assassinada por Jason que perfura um picador de gelo em seu crânio assim colocando em pratica a vingança para a assassina de sua mãe, logo temos a apresentação do titulo, nos mesmos moldes do 1º filme, porem desta vez com o titulo explodindo e em seguida: part 2.
Cinco anos após os acontecimentos de “sexta feira 13” (este fato seria evidenciado ao longo do filme) na mesma cidade, percebemos uma movimentação de jovens, logo percebemos que um novo acampamento esta sendo organizado pelo supervisor Paul (John Furey) e sua assistente e namorada Jinny (Amy Steel), não exatamente no mesmo local onde ocorreram as mortes cinco anos antes, mas em um local muito próximo, neste inicio de filme os espectadores já podem notar o retorno de Crazy Ralph (Walt Gorney), um dos personagens icônicos do 1º filme, porem a alegria do profeta louco não duraria muito, já que em sua segunda cena no filme seria uma das vitimas de Jason.
Após os acontecimentos cinco anos antes, Crystal Lake passou a ser um local amaldiçoado e chamado pelos locais de Camp Blood (acampamento sangrento), é claro que mesmo sabendo da fama e interdição um casalzinho do acampamento tentaria adentrar no local, sendo barrados por um policial, é claro que a sorte deles não duraria muito.
Na sequencia do filme temos uma cena dos jovens reunidos em uma fogueira onde Paul conta um breve prologo de Jason Vorhees, desde sua (teórica) morte no lago, a ausência do corpo que jamais fora achado, a lenda de que o mesmo assistirá a morte da mãe sendo decapitada nas redondezas do lago, e o posterior sumiço da jovem que matará Pamela Vorhees dois meses após os acontecimentos, depois um dos garotos prega um susto na galera e tudo termina em brincadeira, porem Jason estaria atentamente observando todos os passos dos jovens.
A partir dos 40 minutos de filme o diretor Steve Minner engata a 5º marcha e Jason ataca o acampamento eliminando os jovens que ali estavam, enquanto isso Paul e Jinny que estavam com parte do grupo em um barzinho retornam para o acampamento e deparam-se com muito sangue no local, Jason ataca Paul e persegue incansavelmente Jinny até ambos entrarem em um barracão que servirá de casa para Jason, nesta que é uma das mais antológicas cenas da franquia, Jinny se depara com a cabeça decapitada de Pamela Vorhees, ciente da história toda, veste a blusa da assassina e no momento em que seria atacada por Jason, finge ser Pamela Vorhees causando grande confusão mental no maníaco que pelo menos naquela cena conseguiria ser vencido por Jinny e Paul, embora esta ainda não seja a parte final do filme.               
Um dos méritos desta sequencia é saber exatamente qual a finalidade do filme e o que o público espera, sendo ágil na história, diferente do 1º filme, aqui o diretor Steve Minner não perde tempo em focar no desenvolvimento dos personagens ou historinhas paralelas que desviam o foco, o que temos é um banquete de jovens presas eliminadas em sequencia por Jason que é retratado como uma lenda da floresta, um animal louco e selvagem sem qualquer tipo de contato com a sociedade, e, portanto capas de cometer as piores barbáries, uma das características que mais me atraem nesta fase da serie “sexta feira 13” e especialmente deste titulo é a humanização do personagem Jason Voorhees, assistindo a este filme podemos entender o que levou aquele homem a se tornar um animal enfurecido, na cena onde o policial adentra o barracão onde o maníaco reside, percebemos um local sujo e rustico feito à base de tapumes e coisas velhas dotado até mesmo de um banheiro igualmente rustico, o tipo de moradia de um ser humano que não tem qualquer tipo de contato com a sociedade há anos, nas cenas de assassinatos, perseguições e lutas corporais do personagem, fica claro que todos ali estão lidando com um ser-humano, embora dotado de métodos totalmente selvagens de caça, essas características humanas de Jason seriam cada vez mais abandonadas e os novos filmes da serie apresentariam ao público um Jason cada vez mais sobre-humano e imbatível.
Outra novidade que Steve Miner agregou a serie neste titulo tornando-se cliche nos filmes da serie que seguiriam é a inserção de sustos em diversas cenas, diferente do primeiro filme, aqui o diretor fez questão de incluir os temas aflitantes compostos por Harry Manfredini não apenas nas cenas de aproximação do assassino ou quando o mesmo observara as futuras vitimas, mas também em cenas onde se pregava um susto no expectador, isso já fica nítido nos primeiros minutos de filme na cena do gato pulando em cima de Alice.
De resto, Steve Miner segue praticamente todos os conceitos criados por Sean Cunningham no 1º filme, as constantes observações do assassino á suas futuras prezas, o casal que faz sexo e automaticamente é fadado a ser assassinado, fumação de maconha geral por parte dos jovens, cenas picantes de bundas e peitos femininos (muito embora as calcinhas da época não empolguem muito), caras que se acham o engraçadão e logo são abatidos. A grande diferença é notada na heroína Jinny (Amy Steel) que grita e chora bem menos que Alice (Adrienne King) e não foge da reta na hora de atacar Jason, a ausência dos corpos das vitimas aparecendo durante a perseguição de Jason a Jinny também é uma ausência vista no 1º filme, claro que não seria um problema copiar essas referencias citadas nos exemplares da serie que seguiriam.
Produzido com um orçamento pouco maior do que os U$ 500.000 do seu antecessor, sexta-feira 13 parte 2 foi um estrondoso sucesso de bilheteria tendo ficado em 1º lugar em sua estreia nos E.U.A, embora eu não tenha achado fontes confiáveis quanto à arrecadação de bilheteria do filme, fato é que por ser uma produção de orçamento irrisório para um grande estúdio, certamente gerou enorme lucro nos caixas da Paramount e foi à primeira sequencia de uma serie de sete filmes da franquia que viriam a ser produzidos pela Paramount de 1981 á 1989, iniciando aqui uma era de total predomínio e popularização de sexta feira 13 nos cinemas
Censuras e cortes
Embora as mortes em sexta feira 13 parte 2 sejam originais e bem elaboradas, já que vemos o assassino matando com lança, picareta, martelo, garfo de ferro, picador de gelo e etc., há muitas tomadas inteiras que foram filmadas e na edição final ficaram completamente sem nexo ou sem sentido como a lança que atravessa o casal e mortes que nem aparecem, a explicação para isso é que a censura norte americana pegou pesado com o filme e picotou as melhores sequencias, conforme relata o livro “Crystal Lake memories” a sequencia em que a lança atravessa o casal havia sido mega elaborada, com Jason retirando a lança e o sangue jorrando, além da morte de uma das garotas com uma tesoura de jardinagem, segundo relatórios da Paramount, foram cortados cerca de 1:20 minutos de filme só de cenas “pesadas”, além destes cortes a equipe também filmou um final alternativo que justificaria um dos buracos do roteiro, na penúltima cena Jinny aparece sendo levada em uma ambulância e perguntando por Paul, posteriormente o filme se encerra com uma tomada na cabeça decepada de Ms. Vorhees, e o publico eternamente fica na duvida se Paul foi morto na cena do ultimo ataque onde Jason pulou pela janela em cima de Jinny, no final originalmente filmado a ultima tomada mostra a cabeça de Ms. Vorhees sorrindo e nitidamente o publico entende que Paul foi morto e que Jason continuara sua jornada sangrenta pelas florestas de Crystal Lake, inclusive os relatos da equipe que produziu o filme dão conta de que esta cena de Ms Vorhees sorrindo foi muito bem elaborada com a participação de uma atriz maquiada e levando horas para ser filmada, até compreendo que a cabeça decepada da mãe de Jason sorrindo ficaria bem estranho e fantasioso para a franquia, porem acho lamentável o diretor e principalmente o estúdio (Paramount) não terem guardado os negativos dessas cenas, imagine que director’s cut maravilhoso não teríamos hoje ?
Das grandes injustiças que ocorrem quando falamos em “sexta-feira 13” considero que das maiores é Sean Cunningham o grande criador da franquia não dividir seus méritos e ganhos durante todos estes anos com Steve Miner, Cunningham que desde os anos 90 praticamente vive com os ganhos da franquia e tentando emplacar novos filmes da serie de tempos em tempos, deveria dividir os méritos do que se tornou sexta feira 13 com Miner, responsável por criar o “assassino” Jason Voorhees a partir deste filme (entenda-se criar a figura de Jason como um “assassino” e não criar o “personagem”), e o transformando no icônico assassino da mascara de hockey no filme seguinte, infelizmente Cunningham que sequer acreditava no projeto de transformar Jason no antagonista da serie, é quem hoje esta a frente dos direitos da franquia, e tudo o que foi e vier a ser criado passa pela assinatura dele, isso explica porque tivemos filmes tão ruins da serie a partir dos anos 90 como Jason vai para o inferno e Jason X (Cuninngham foi o responsável pela produção de ambos os filmes).
Mas finalizando o assunto, considero sexta feira 13 parte 2 certamente um dos melhores filmes da serie junto com a 3º parte e referencia para qualquer um que queira conhecer melhor os filmes da franquia, algumas pessoas desvalorizam o filme devido a Jason ainda não ter adquirido sua famosa mascara de hockey, eu sinceramente confesso que acho o visual de Jason neste filme (saco amarrado na cabeça) muito mais macabro e aterrorizante do que o tradicional.


Sexta-feira 13 parte 2
Titulo original: Friday the 13th part 2
Gênero: Terror
Direção: Steve Miner
Roteiro: Ron Kurz, Phil Scuderi
Elenco: Adrienne King, Amy Steel, Betsy Palmer, Bill Randolph, Carolyn Louden, China Chen, Cliff Cudney, David Brand, Jack Marks, Jaime Perry, Jerry Wallace, Jill Voight, John Furey, Kirsten Baker, Lauren-Marie Taylor, Marta Kober, Russell Todd, Stuart Charno, Tom McBride, Tom Shea, Walt Gorney, Warrington Gillette
Produção: Steve Miner
Fotografia: Peter Stein
Midias disponíveis no Brasil: Blu-ray, DVD e Netflix

SEXTA-FEIRA 13 (1980)

UM BOM FILME QUE SEM PRETENSÕES DEU INICIO A FRANQUIA DE MAIOR LONGEVIDADE NA HISTÓRIA DOS FILMES DE TERROR!

O inicio dos anos 80 foi marcado pelo lançamento de diversos filmes de terror envolvendo seriais killers, a premissa de quase todos era a mesma: um grupo de jovens despretensiosos e ousados sendo mortos um a um em uma serie de assassinatos onde na maioria das vezes o assassino misterioso só é revelado nos 20 minutos finais, e o filme que falarei agora sem sombra de duvidas foi um dos precursores em popularizar este gênero e megassucesso em 1980.
Sexta feira 13 tornou-se uma icônica serie e certamente uma das mais longevas e lucrativas franquias do gênero em hollywood e não é novidade pra ninguém que estabeleceu o assassino da mascara de hockey, Jason Vorhees como um dos personagens mais notáveis e clássicos do cinema de horror, mas esqueçam de tudo isso, pois aqui estamos falando de “sexta feira 13” o filme homônimo de 1980, e embora tenha sido o pontapé inicial para tudo o que foi falado, aqui Jason não é o protagonista (por enquanto).
O filme se inicia em 1958 no acampamento Crystal lake, uma bela noite de lua cheia e um grupo de jovens monitores do acampamento em um cântico feliz com violões e sorrisos, logo um casalzinho se dispersa do grupo e sobe as escadas de um porão para uma “diversão a 2” porem logo são surpreendidos por uma 3º pessoa, e as novas não seriam nem um pouco animadoras já que ambos seriam assassinados ali mesmo, com a imagem da garota em pânico pausada logo somos apresentados ao titulo em longas letras em fundo preto e um vidro se quebrando, a partir dai já da pra prever o que vem pela frente.
 Nos primeiros minutos o filme já pula para os dias atuais (entenda-se o ano de 1980) com a jovem Annie (Robbi Morgan) procurando em uma pequena cidade interiorana o caminho para Crystal Lake, quando a mesma em uma cafeteria pergunta pelo local percebe de cara que os moradores das redondezas não são lá muito empáticos com o acampamento , ainda assim consegue carona através de um simpático caminhoneiro local, na sequencia desta cena aparece pela 1º vez um personagem icônico na serie “sexta feira 13” o Velho Ralph ou Crazy Ralph (Walt Gorney), conhecido pelos moradores locais como um atormentado, Ralph profetiza a jovem que se hospedar-se no local jamais retornará e logo monta em sua bicicleta, em seguida o caminhoneiro também orienta que a jovem peça demissão dos trabalhos em Crystal Lake explicando acontecimentos estranhos no local há décadas como o afogamento de um jovem, a posterior morte de um casal de jovens e sabotagens no acampamento como incêndios e a contaminação da água, porem de nada adiantam as orientações e a garota é deixada em uma rodovia próxima ao acampamento.

Ao mesmo tempo Marcie (Jeanine Taylor) seu namorado Jack (Kevin Bacon em um dos seus primeiros papéis no cinema) e Ned (Mark Nelson) estão chegando para juntarem-se a um grupo liderado por Steve Christy (Peter Brouwer) que contratou um grupo de jovens para auxilia-lo a reabrir o acampamento Crystal Lake após mais de 20 anos, de principio o clima é de muita brincadeira, porem de fora o expectador já sabe que há alguém ali observando cada passo dos jovens.
Enquanto os mesmos continuam os trabalhos no acampamento, Annie que ainda procurava o local é morta pelo assassino misterioso nas florestas de Crystal Lake, e até o anoitecer deste mesmo dia, os jovens do acampamento também começariam a ser assassinados um a um.
Quando Alice (Adrienne King) sobrou como unica sobrevivente do acampamento, chega um Jipp semelhante ao de Steve, Alice acredita ser Steve chegando, porem se surpreende com uma senhora saindo do veículo, é Pamela Voorhhes, no inicio uma calma e prestativa moradora local, porem logo alice percebe que trata-se de uma uma atormentada assassina marcada eternamente pelo afogamento do filho, e se vingando de todos que ameassem adentrar naquele acampamento novamente.
Após ser perseguida durante toda a noite, em um embate na beira do lago Alice consegue decapitar Pamela Voorhees e devastada entra em uma canoa ficando a deriva no lago.
Ao amanhecer Alice observa a chegada da policia na beira do lago porem logo é agarrada e emergida as profundezas do lago pelo jovem Jason Voorhees (Ari Lehman), em seguida acorda no hospital e pergunta sobre o garoto Jason, porem é informada que não havia nenhum garoto e concluímos que tudo não passará de um sonho, no desfecho do filme vemos o lago borbulhando em uma clara referencia para deixar o público na eterna duvida do que haverá visto.         
Sem grandes pretensões e com pouca grana no bolso, a dupla Sean Cunningham e Victor Miller já tinham perdido dinheiro com a produção de filmes infantis, e como Cunningham já havia trabalhado com Wes Craven anos antes em aniversario macabro, pensou que a produção de um filme de terror poderia cair bem, porem Cunninghan tinha uma concepção diferente para desenvolver o seu filme de terror, a partir dai Victor Miller sabiamente usou como inspiração a temática do filme “Halloween a noite do terror” do mestre John Carpenter, que fazia estrondoso sucesso nos cinemas em 1979.
Já com a ideia clara do caminho a ser seguido, Sean Cunninghan tinha na cabeça que o titulo do longa deveria chamar-se “sexta-feira 13” tal fixação pelo titulo foi tamanha que fez o diretor registrar o nome do longa até mesmo fazendo um anúncio da produção no Variety sem nem mesmo ter um roteiro em mãos e sequer contar com um orçamento para idealizar o filme, e o mais ousado: a promessa de que seria “o filme mais aterrorizante de todos os tempos”, nota-se que o diretor estava bem confiante no projeto.

Com o modesto orçamento de 500.000 dólares e sem grandes nomes no elenco, estima-se que sexta feira 13 tenha arrecadado mundialmente em receita bruta a bagatela de 117.917.391 milhões, cifras surpreendentes para um filme do gênero, ainda mais em 1980, também fez história sendo o 1º filme do gênero que teve seus direitos de distribuição comprados por um grande estúdio americano, após assistir a uma exibição nas poucas salas lançadas, executivos da Paramount investiram a bagatela de 1,5 milhões para garantirem o lançamento do filme a nível nacional, após o estrondoso sucesso interno a Warner Brothers também garantiu a distribuição internacional de sexta feira 13, o que também garantiu o inicio do sucesso da franquia a nível mundial, após sexta feira 13, grandes estúdios passaram a bancar produções do gênero slasher, filmes que até então eram lançados de forma independente por produtores americanos e jamais alcançariam grande sucesso.
Pessoalmente Credito que o sucesso de sexta-feira 13 passa de forma fundamental por dois profissionais que fizeram trabalhos muito acima da média: Tom Savini e Harry Manfredini.  
Se alguém tem que ser enaltecido no sucesso de sexta-feira 13, este alguém é Tom Savini, mestre em efeitos de maquiagem em uma época que literalmente faziam se milagres já que não haviam computadores, Savini que já havia feito um trabalho majestoso no modesto clássico Dawn of the dead de George Romero, aceitou o desafio e criou as mortes mais mirabolantes que haviam no roteiro de Victor Miller em sexta feira 13, me recordo que quando assisti ao longa pela primeira vez em VHS ainda criança ficava assombrado com o realismo das mortes neste filme, muitos anos mais tarde quando comprei o DVD de sexta-feira 13, no making of recriado tive a oportunidade de ver as entrevistas com Tom Savini e os storyboards criados para elaboração das cenas, confesso que fiquei ainda mais maravilhado com o trabalho de Savini, considerando a complexibilidade de criar estas cenas como a morte do personagem de Kevin Bacon que é atravessado por uma lança na garganta enquanto deitado na cama, realmente fantástico, não à toa Savini seguiu uma carreira gloriosa e hoje é reconhecido como um dos maiores maquiadores e criador de efeitos especiais da história do cinema de terror.
Já Harry Manfredini foi muito feliz ao criar os temas para sexta-feira 13, nota-se que são tomadas de instrumentos simples porem as entradas da musica já trazem todo o clima de angustia e a presença do assassino deixando o publico aflito á todo momento, a jogada da musica lenta no ato final do filme também foi muito bem inserida enganando e surpreendendo o público, Manfredini ainda contribuiria com os próximos filmes da serie, mas os seus temas criados aqui ficariam marcados eternamente na franquia e na história do cinema.     
Quanto ao elenco de sexta-feira 13, podemos dizer que cumpre o esperado para o gênero, os personagens secundários não comprometem, a protagonista Alice (Adrienne King) se sai bem como a Scream Queen da vez e a antagonista Ms. Vorhees vivida por Betsy Palmer ficou marcada no cinema como a eterna mãe de Jason Vorhees, em pensar que a atriz na época aceitou o papel apenas para utilizar o cache do filme para trocar de carro e achando que o filme seria uma porcaria e cairia facilmente no esquecimento das trevas do cinema, ledo engano.
Enfim, penso que “sexta feira 13” esta longe de ser “o filme mais aterrorizante de todos os tempos”, como era a pretensão de Sean Cunninghan e como muitos o cultuam, porem é inegável que foi um estrondoso sucesso de publico e fez história em diversos aspectos tendo fomentado nos anos seguintes produções similares de relativo sucesso como Sleepway camp e chamas da morte, e abrindo portas para o gênero que teve a sua formula copiada por inúmeros filmes ao longo de toda a década de 80, o que considero que seja o seu grande legado, porem o que ninguém jamais imaginou é que o desfecho do filme abriria precedentes para que outra equipe criasse um dos maiores vilões não só da história do cinema, mas sim enraizado na cultura pop mundial.      
Considerações sobre o blu-ray de sexta feira 13 lançado no Brasil.
Deixo aqui minha critica quanto à capa do blu ray de sexta-feira 13 lançado no Brasil e em outros lugares do mundo, conforme se pode observar abaixo, na capa do filme claramente vemos uma grande mascara de hockey cima do titulo e abaixo a sombra de um personagem que claramente é Jason Vorhees, porem sabemos que este Jason da mascara de hockey nem sonhava em surgir aqui, mais infame do que forçar essa referencia é a frase na capa: “o terror depois da mascara”, frase mentirosa e desconexa, pois como já citado a icônica mascara só viria a surgir anos depois no terceiro filme da franquia enfim, acredito que há maneiras mais claras de comercializar um blu-ray ou qualquer formato de mídia sem precisar buscar referencias que não condizem com o filme em questão.

A parte boa para os fãs é que todo o conteúdo extra desta vez foi legendado diferente da versão em DVD disponível no Brasil, quanto aos comentários em áudio do diretor Sean Cunninghan, se você não entende inglês esqueça pois continuam sem legendas.            





Sexta-feira 13
Titulo original: Friday the 13th
Ano: 1980
Direção: Sean S. Cunningham
Roteiro: Victor Miller
Elenco: Adrienne King, Ari Lehman, Betsy Palmer, Debra S. Hayes, Dorothy Kobs, Harry Crosby, Jeannine Taylor, Ken L. Parker, Kevin Bacon, Laurie Bartram, Mark Nelson, Mary Rocco, Peter Brouwer, Rex Everhart, Robbi Morgan, Ron Millkie, Ronn Carroll, Sally Anne Golden, Walt Gorney, Willie Adams
Produção: Sean S. Cunningham
Fotografia: Barry Abrams
Mídias disponíveis no Brasil: Blu-ray, DVD e Netflix

domingo, 23 de junho de 2013

JOVENS BRUXAS (1996)

Filmes envolvendo bruxas nunca foram novidade nos cinemas, as temidas magas do mal vira e mexe protagonizam diversas produções, como os ótimos ‘as bruxas de eastiwick’ e ‘Elvira a rainha das trevas’ no inicio dos anos 80, passando pelo divertido convenção das bruxas e contrastando com o impactante: as bruxas de Salem. Nos últimos anos as bruxas voltaram com tudo em produções boas e outras péssimas como o ótimo arraste-me para o inferno e o infame ‘dezesseis luas’ que nitidamente pega carona no recente conceito criado pela juvenil saga crepúsculo.
Recentemente assistindo nos cinemas ao péssimo ‘João e Maria – caçadores de bruxas’ me recordo como se fosse hoje de um comentário da bruxa líder e grande vilã do filme interpretada pela belíssima Famke Janssen fazendo um comentário mais ou menos assim:
- Vocês esperavam por uma bruxa horrível não é? Mas os tempos mudaram.
Ou seja, a produção se vangloriava com o conceito de que traz bruxas más na pele de belas atrizes, ao ouvir este comentário imediatamente me veio à cabeça um filme que havia alugado na locadora em meados de 1997 e que me trazia ótimas lembranças, para ter certeza que não estava tendo devaneios assisti novamente a esta produção há uns dias atrás e a minha grata surpresa é que o filme realmente é esplendido, e prendeu minha atenção do inicio ao fim. O filme em questão trata-se de ‘jovens bruxas’ (the craft), produção lançada nos cinemas americanos em Maio de 1996 e no final do mesmo ano nos cinemas brasileiros, embora tenha adquirido certa notoriedade no país em seu lançamento em VHS em 1997. 
A trama acompanha a jovem Sarah Bailey (Robin Tuney) que se muda com a família para Los Angeles. Apresentando sérios problemas de relacionamento, no 1º dia de aula na nova escola Sarah aproxima-se de três garotas góticas que a principio também não demonstram grandes dotes de sociabilidade, porem uma das jovens nota que Sarah tem habilidades paranormais e resolve dar uma chance para a garota se enturmar com o trio.
Ao mesmo tempo que se aproximou das garotas, Sarah envolveu-se em um relacionamento de alguns dias com Chris (Skeet Ulrich) e acabou sendo extremamente magoada.
A proximidade das três amigas com a magia e o ocultismo acabou envolvendo Sarah que com sua força sobrenatural acabou por criar poderes nas garotas que tornaram-se bruxas e tiveram seus ritos atendidos.
Porem quanto mais cada uma delas experimentava os benefícios dos seus desejos e poderes, mais utilizavam a magia para finalidades negativas, e Sarah passou a perceber o que estava acontecendo, porem as coisas começaram a tomar proporções incontroláveis e após Nancy (Fairuza Balk) invocar uma força maligna, passa a perseguir Sarah em um embate que certamente não terminaria bem para um dos lados.
Jovens bruxas na época empregou efeitos especiais de ponta sendo produzido pelo estúdio recém-inaugurado da Sony Technologies e ajudou a divulgar juntamente com indivíduos como Marylin Manson o conceito gótico que foi moda para grupos de jovens na época, tornando popular comportamentos ligados ao paganismo e a bruxaria, especialmente Wicca.
Embora não tenha tido um grande lançamento por parte da columbia pictures, jovens bruxas foi bem sucedido dentro do que o estúdio esperava e o seu lançamento no mercado de home vídeo e posteriormente dvd acabou mais do que dobrando o faturamento total da produção.
Embora nos dias atuais jovens bruxas não tenha deixado um legado significativo, virado franquia ou lançado alguém que se tornou uma megaestrela (afinal a protagonista Robin Tuney hoje faz ponta em algumas series como the mentalist e prision brake), o filme conquistou uma legião expressiva de fãs, o que pode ser notado em uma rápida pesquisa na internet, e até hoje é referencia para os cultuadores do ocultismo e bruxaria já que muitos detalhes que o filme buscou são baseados em crenças e práticas neo-pagãs.
Visão pessoal: Embora valha ressaltar que em uma assistida hoje em dia, muitos aspectos de ‘jovens bruxas’ ficou muito anos 90 (o que é plausível por questões obvias), o filme acumula muito mais aspectos positivos do que negativos. O seu roteiro tem poucos buracos para um filme do gênero, e a trama faz questão de acompanhar a história de cada uma das protagonistas, fazendo com que o publico entenda as dificuldades e motivações de cada uma delas, o que torna a história muito mais real e intensa, e as atuações de Robin Tuney como a protagonista Sarah e Fairuza Balk como a antagonista Nancy roubam a cena.
Curiosidades:
Embora façam parte do 1º escalão no elenco de jovens bruxas, Neve Campbell e Skeet Ulrich que neste filme interpretam respectivamente uma das amigas e o interesse romântico da protagonista, no final do mesmo ano ambos protagonizariam ‘pânico’ que tornaria-se sucesso absoluto, e este sim uma grande franquia no que restou da década de 90 e referencia para filmes de terror até os dias atuais.
Em 1998, 2 anos após o lançamento deste filme, o canal americano Warner Brothers estreou uma serie televisa chamada 'Charmed' que era centrada em 3 jovens bruxas porem irmãs, o fator mais curioso é que a serie em suas primeiras temporadas utilizou como tema de abertura uma versão da canção How son is now? dos smiths que havia sido gravada pela banda Love Spit Love justamente para este filme. Será que a serie charmed (que tambem curiosamente foi intitulada de jovens bruxas no Brasil) se inspirou neste filme? eu creio que 100%.   
Resumindo, Embora seja um filme que divida opiniões, jovens bruxas passa muito longe de ser um filme ruim, e merece ser conferido nos dias atuais por novas gerações, diria que se já não é um filme cult, certamente deve adquirir este status em um futuro próximo.


Jovens bruxas

Titulo original: The craft
Direção: Andrew Fleming
Roteiro: Andrew Fleming, Peter Filardi
Elenco: Breckin Meyer, Christine Taylor,
Fairuza Balk, Neve Campbell, Rachel True,
Robin Tunney, Skeet Ulrich
Produção: Douglas Wick
Fotografia: Alexander Gruszynski
Trilha Sonora: Graeme Revell
Duração: 101 min.
Ano: 1996

sábado, 22 de junho de 2013

PANICO 2 (1997)

A sequencia de pânico era algo certo após o boom do 1º nos cinemas americanos ao final de 1996 e principalmente no inicio de 1997, a excelente receptividade do publico e a boa resposta da crítica credenciaram a Miramax a apostar alto nas filmagens de uma sequencia quase que imediatamente aos bons resultados de pânico nos cinemas, imediatamente o diretor Sam Raimi e o roteirista Kevin Wllianson foram convocados pelo estúdio para começarem o esboço do 2º filme, e o passo seguinte foi garantir o retorno do trio de atores Neve Campbell, Courtney Cox e David Arquette que foram estabelecidos na trama de Kevin Willianson como os protagonistas da serie e retornaram a trama após um cache considerável e a garantia de que os seus personagens teriam relevância na trama.
Pânico 2 estreou nos cinemas americanos e posteriormente mundialmente em dezembro de 1997, desta vez a Miramax fez questão de garantir um lançamento em grande escala do filme, além de ter investido pesado na campanha de marketing e divulgação do filme, pânico 2 foi uma das estreias mais esperadas do ano de 1997, lotou as salas de cinema e gerou grande expectativa, muito embora o filme como a grande maioria das sequencias não faça jus a obra original.
Para fortalecer o elenco de pânico 2 a Miramax fez questão de trazer um elenco de peso razoável na época para ajudar a compor a história, atores jovens que despontavam na época fazem participações interessantes como Sarah Michelle Gellar e Jerry o’connel. Jada Pinkett e Omar Epps também participam na boa cena de abertura do filme que até empolga no inicio e Liev Schreiber que fez uma participação nanica no 1º filme, retorna ao papel de Cotton Weary porem desta vez o seu personagem tem importância crucial na trama.
A pouco criativa sequencia de pânico inicia com uma cena bem legal dentro de um cinema em uma clara paródia dos acontecimentos do 1º filme (que viraram um filme dentro de ‘panico 2’ chamado de Stab (a punhalada) ) e logo foca novamente na personagem central da serie: Sidney Prescott (Neve Campbell) que após os acontecimentos em Wodsboro tenta levar uma vida normal como uma universitária na fictícia cidade de Windsor, porem a recente morte do casal de universitários dentro de um cinema local reforça os rumores que alguém esta tentando replicar os acontecimentos de Wodsboro 2 anos antes.
Em contrapartida Gale (Courtney Cox) segue como jornalista, agora renomada após lançar um livro sobre a chacina em Wodsboro, e os direitos de sua obra tornado-se um filme (stab), logo Gale, Sidney e o policial agora aposentado Dewey (David Arquette) terão seus destinos traçados novamente com o real surgimento de um assassino que novamente se veste de ghostface e literalmente quer tocar o terror.
Pânico 2 tenta claramente trazer elementos claros do filme original, novamente há por aqui citações de grandes obras de horror como no 1º filme, porem a moda em pânico 2, sustentando a pretensão de ser uma autoparodia de sua criação, é a citação a sequencias com comentários que ressaltam quando o 2º foi melhor que o 1º como o exterminador do futuro 2 e Aliens o resgate.
Embora Kevin Willianson tenha trazido para pânico 2 um universo totalmente diferente da pacata Wodsboro do 1º filme, e inserido uma leva de novos personagens como o inocente namorado de Sidney, Derek (Jerry o’connel), a amiguinha inseparável da mesma, Hallie (Elise oneal) o alter-ego jornalístico de Gale, Debbie Sal (Laurie Metcalf) a rainha da fraternidade, Cici (Sarah Michelle Gelar) o estudante obcecado por filmes e teorias malucas Mickey (Timothy Olyphant) e o tipo igual ao anterior e sobrevivente do 1º massacre em Wodsboro, Randon (Jamie Kennedy em uma participação que não durou muito e rendeu uma das poucas cenas de morte criativa). A grande maioria desses personagens serve apenas para engrossar a lista de suspeitos dos crimes e posterior banquete para as mortes que ocorrem durante a trama, quem realmente conduz todo o filme e fica acima de qualquer suspeita é o trio principal Neve Campbell, Courtney Cox e David Arquette, o único personagem que após o termino do filme fica claro que se destacou junto dos 3 atores é Liev Schreiber com o retorno do personagem Cotton, que após se livrar das acusações de ter assassinado a mãe de Sidney no 1º filme, tornou-se uma espécie de ex-participante de Big Brother, procurando a todo custo os seus 15 minutos de fama.
O roteiro de pânico 2 além de ter sido escrito as pressas por Kevin Willianson devido à pressão da Miramax para o lançamento do Thriller nos cinemas no final de 1997 e o curto tempo entre a pré-produção e as filmagens, também sofreu com sabotagens. Durante as filmagens do longa diversos meios de comunicação divulgaram detalhes chaves da trama e até mesmo os assassinos que originalmente seriam o namorado de Sidney, Derek acompanhado de sua melhor amiga na trama, Halley, porem essas revelações obrigaram Willianson a reescrever diversas paginas do roteiro e filma-las quase simultaneamente, a precaução passou a ser tamanha que os atores filmaram muitas das cenas principais da trama nas ultimas tomadas, poucos dias antes do termino geral das filmagens, o curto tempo de programação entre roteiro e filmagens possibilitou que o próprio diretor Wes Craven agregasse muitas questões criativas à produção.
Curiosidade bizarra:
Se stab, que é o filme fictício dentro de ‘pânico 2’ fosse uma produção de verdade, já poderíamos dizer que teve pelo menos 3 nomes em seu elenco que hoje são rostos conhecidos, Heather Graham, Luke Wilson e Tore Spelling viriam a participar de diversas produções razoáveis nos anos seguintes (principalmente Wilson e Graham).
Pânico 2 estreou nos EUA em 12 de dezembro de 1997 e posteriormente em Março do ano seguinte no Brasil e teve uma bilheteria monstruosa, contabilizando um total de R$ 172.363.301 em todo o mundo, sendo o 7º filme de terror da história a ultrapassar a barreira dos 170 milhões de dólares em bilheteria além de ter sido o filme de terror mais assistido nos anos de 1997 e 1998 a ainda por cima ter o titulo póstumo de grande produção de critica e publico do gênero horror na década de 90 é mole?
Visão pessoal
Se formos analisar questões comerciais, acredito que pânico 2 foi a sequencia de um filme de terror mais bem elaborada do ponto de vista de uma estratégia de marketing nos cinemas, e acertou em cheio trazendo o trio principal do filme original e ainda se dando bem com nomes despontando na época como Sarah Michelle Gelar e Jerry o’Connell, e destaques como o personagem de Liev Schreiber. Também se aproveitou de uma velha estratégia em Hollywood que é não deixar a poeira do sucesso baixar, já que foi lançado exatamente um ano depois do filme original, as pessoas estavam sedentas em ver ghostface novamente derramando sangue alheio, e com um orçamento muito superior ao filme original (já que pânico 2 passava muito longe de uma aposta como haverá sido o filme original) e uma massiva campanha e apoio da MTV gringa, o filme atingiu o sucesso mais do que esperado.
Analisando pânico 2 do ponto de vista de um filme de terror eficiente, creio que ficou muito abaixo da expectativa, 1º porque a protagonista principal Sidney Prescott parece não ter aprendido com os erros do 1º filme, sempre mantendo a postura frágil e amedrontada, o seu par na história Derek também parece um peixe fora d’agua na história e a sua melhor amiga Halley desde sua 1º cena deixa claro que esta na história apenas para encher linguiça e morrer no momento oportuno como tantos outros neste filme, definitivamente os personagens não demonstram qualquer carisma, diferente do 1º filme onde até mesmo a dupla de assassinos demonstrava perfis diferentes e doentios ao mesmo tempo, e novamente quem consegue dar algum ar da graça na história é o casal formado por Dewey e Gale além do famigerado Cotton.

Resumindo, além de uma ou outra cena interessante como a perseguição de ghostface a Gale dentro de um estúdio de áudio e a cena onde Gale e Dewey perseguem pessoas com celulares em busca de achar o assassino em um parque a luz do dia terminando com a bizarra morte de Randon dentro da van, pânico 2 mostra-se extremamente previsível e lembrando uma sombra do que foi o filme original, tentando se sobressair nas cenas copiosas do 1º filme, mas quase sempre topando com o obvio, ainda assim as criticas na época foram bastante positivas e há até mesmo quem diga que este filme superou o original, cada louco com sua loucura. 


Panico 2
Titulo original: Scream 2
Gênero: Terror
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
ano: 1997
Elenco: Adam Shankman, Angie Dillard, Anne Fletcher, Carmen M. Chavez, Christopher Doyle, Cornelia Kiss,Courteney Cox, Craig Shoemaker, Daniel K. Arredondo, Dave Allen Clark, David Arquette, David Warner, Duane Martin, Elise Neal, Erik Hyler, Greg Meiss, Heather Graham, Jack Baun, Jada Pinkett Smith, Jamie Kennedy, Jason Horgan, Jennifer Weston, Jerry O'Connell, Joe Washington, John Embry, John Patrick, Joshua Jackson, Kevin Williamson, Kris Andersson, Lance MacDonald, Laurie Metcalf, Laurie Sposit, Lewis Arquette, Liev Schreiber.

sábado, 8 de junho de 2013

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO (1997)

Quando analisamos as produções de terror realizadas nos anos 90 certamente ‘eu sei o que vocês fizeram no verão passado’ trata-se de um dos filmes que podem ser destacados como boas produções que contaram com a aprovação do publico de um modo geral.
Baseado no livro com mesmo nome de 1973 do autor americano Louis Duncan, a história narra um grupo de 2 casais amigos que comemoram a noite do feriado americano de 4 de julho em sua cidade natal, prestes a ingressarem na faculdade e entrarem na fase adulta, após uma romântica estada noturna na praia os casais retornam para casa, porem no percurso acabam acidentalmente atropelando um pedestre.
No desespero momentâneo, entre socorrer a vitima que estava desacordada e arcar com as consequências que poderiam ser bem rígidas pelas leis dos EUA, o grupo de jovens decide em quase comum acordo que a saída seria jogar o corpo da vitima no mar, e após o fato consumado fazem um juramento que aquele fato ficaria escondido para sempre, porem 1 ano depois a jovem Julie (Jennifer Love Hewwit) recebe uma carta com a frase titulo do filme, e dai para frente o grupo de jovens seria mortalmente perseguido para pagarem pelo que tentaram esconder 1 ano antes.
‘Eu sei que vocês fizeram no verão passado’ foi escrito as pressas pelo roteirista e produtor Kevin Willianson que após o sucesso de pânico em 1996 foi procurado pelo estúdio Mandalay para roteirizar e produzir um terror jovem envolvendo um serial killer nos moldes do seu recente sucesso do ano anterior, a pedido da columbia pictures que bancou 100% dos custos da produção. Nesse período Willianson teve que se desdobrar, pois trabalhava incansavelmente nos roteiros de pânico 2 e 3 encomendados pela miramax além de intercalar o roteiro e a produção deste filme e a serie de tv Dawson creek para a columbia television.
‘Eu sei o que vocês fizeram no verão passado’ também é muito lembrado pelo fato de ter lançado ao estrelato a carreira de 5 jovens atores, como na época a columbia pictures pretendia ter um custo mínimo com o elenco do filme, decidiu apostar em atores que onerassem custos irrelevantes dentro do orçamento do filme, o posterior sucesso do longa ajudou a alavancar a carreira do quarteto principal nos anos seguintes: Jennifer Love Hewwitt ganhou papéis de destaque em filmes como a adaptação nas telonas de Garfield e o terno de um milhão de dólares. Ryan Phillippe atuou em filmes com grande apelo comercial como segundas intenções, crash – no limite e até mesmo conseguiu uma inusitada indicação ao Oscar por assassinato em gosford park. Freddie Prinze Jr ganhou destaque no final dos anos 90 com comédias românticas como louco por você, mais tarde protagonizando a versão live action de scooby-doo ao lado da sua hoje esposa Sarah Michelle Gellar, a integrante deste elenco que obteve mais sucesso, posteriormente estreando a serie ‘Buffy – a caça vampiros’ como a protagonista além de participar de outras produções memoráveis como pânico 2. até mesmo Ane Heche que fez um pequeno papel aqui, rumou para papeis de mais destaque no remake de psicose e seis dias e sete noites.
Resumo: Embora esta produção recorra claramente a diversos clichês do gênero, e se comparado diretamente ao seu ‘criador’ pânico seja extremamente inferior em todos os aspectos, certamente o diretor Jim Gilesppie em parceria com o sempre eficiente Kevin Wilianson souberam dosar o filme com características bem peculiares dos anos 90, e com a ajuda do quarteto principal que passa expressão em seus personagens facilitou a tarefa de ‘eu sei o que vocês fizeram no verão passado’ não só atingir um expressivo sucesso de publico nos cinemas de todo o mundo, além de possibilitar o filme ser sempre lembrado como uma excelente opção em seu gênero, além de ajudar a desenterrar o gênero de slasher movies do extenso cemitério de Hollywood no final dos anos 90.
Observão: como o desfecho deste filme já sugeria, no ano seguinte a esta produção a Mandalay novamente em parceria com a columbia lançaram a dispensável sequencia direta: eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado, que apenas substituiu o casal formado por Ryan Phillipe e Sarah Michelle Gelar, colocando os personagens de Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr em novos apuros desta vez ambientado em uma viagem de férias dos 2 casais, em 2006 quando todos achavam que a franquia já estava definitivamente enterrada a divisão da columbia através da sony pictures lançou uma terceira parte que foi intitulada no Brasil como: eu sempre saberei o que vocês fizeram no verão passado, filme que sequer tinha qualquer relação com os acontecimentos dos filmes anteriores, alguns ainda tem coragem de considerar esse ultimo filme e chamar a serie de ‘trilogia’, eu obviamente não me incluo nessas pessoas.




Eu sei o que vocês fizeram no verão passado
titulo original: I know what you did the last summer
Gênero: Terror
Direção: Jim GillespieRoteiro: Kevin Williamson
Elenco: Anne Heche, Bridgette Wilson, Dan AlbrightDeborah Hobart, Freddie Prinze Jr., J. Don FergusonJennifer Love Hewitt, Johnny Galecki, Lynda ClarkMary McMillan, Muse Watson, Rasool J'Han, Ryan Phillippe
Sarah Michelle Gellar
, Stuart GreerProdução: Erik Feig, Neal H. Moritz, Stokely ChaffinFotografia: Gary Wissnera
Ano: 1997

domingo, 2 de junho de 2013

A COISA (1985)

Sempre tem aqueles filmes que a gente assiste na infância e fica marcado eternamente na memória, na maioria das vezes você assistia e pensava: puts que filme da hora, e depois de alguns anos quando assiste novamente sob um olhar mais amadurecido analisa e chega à conclusão: não era tudo isso que eu achava, mas ainda assim é uma história interessante. Esse é o caso de ‘a coisa’ também bastante conhecido como ‘the stuff’ seu titulo original.

Recordo-me como se fosse hoje que no inicio da década de 90 esse filme passou inúmeras vezes no extinto cinema em casa do SBT, e eu sempre que podia assistia, ou seja: quase todas as vezes que repetidamente reprisava esse pequeno clássico produzido pela New World Pictures, produtora acostumada a desenvolver produções de baixo orçamento que envolviam características de terror e comédia, a maioria de seus filmes ficou em um esquecimento eterno, porem outros como Piranha e corrida da morte ano 2000 seguiram crescendo como clássicos contemporâneos.
A criativa história inicia com um homem descobrindo uma substancia cremosa borbulhando do chão, ao experimentar o condimento percebe que trata-se de uma massa agradável que se assemelha a um iogurte ou sorvete, mais tarde a história avança com um grupo de industriais que contratam David (Michael Moriaty), um ex-agente do FBI que tornou-se um sabotador industrial, sua missão e descobrir do que se trata o tal the stuff que surgiu no mercado e rapidamente tornou-se febre de consumo entre a população dos EUA prejudicando diretamente as vendas de sorvetes, iogurtes e derivados no mercado.
Ao aprofundar suas investigações David logo descobre que o tal the stuff tinha segredos muito maiores envolvendo sua origem, e entra em uma espécie de teoria da conspiração ao lado de Charlie (Garret Morris), ambos acabam descobrindo que o stuff na verdade é um parasita que ao ser ingerido pelo ser-humano passa a controlar o seu cérebro transformando a pessoa em uma espécie de zumbi alimentando-se do seu cérebro e órgãos deixando o corpo humano oco (realmente inacreditável não?).
Ao mesmo tempo o garoto Jason (Scot Bloom) também percebe que a sobremesa tem vida e percebe o quanto a mesma afeta a sua família que consome o stuff exageradamente,  logo o garoto seria resgatado por David e completaria o trio de heróis junto com Nicole (Andrea Marcovicci) que depois de ser a criadora da campanha de marketing que ajudou a popularizar o stuff, passa a combater a sobremesa-alienígena além de servir como par romântico de David.
O elenco de ‘a coisa’ é um dos pontos que dão sustentação a maior parte do filme e até mesmo ajudam a engolir os muitos buracos do roteiro, a começar pelo veterano protagonista Michael Moriaty que sempre foi figura conhecida na TV americana tendo realizado series como holocaust no fim dos anos 70 diversos filmes para a TV como The winds of kitty hawk, o ator consegue transitar bem entre a seriedade e o humor conseguindo ser uma figura carismática dentro do filme, já o seu par romântico interpretado por Andrea Marcovicci que tinha contracenado recentemente no sucesso ‘os eleitos’ não faz mais que o obvio, alias a química entre ela e o personagem de Moriaty é extremamente forçada, do nada o casal passa a se beijar a agir como se conhecessem há anos sendo que haviam acabado de estar juntos, ah se a vida fosse assim...
Mas as grandes apostas da New Word para emplacar o sucesso de ‘a coisa’ foram às presenças do na época popular comediante do Saturday Night Live, Garret Morris e o veterano ator Paul Sorvino que interpretou o durão coronel Spears, além de uma pequena participação do também veterano Danny Aiello.
A coisa jamais ficou marcado como um grande sucesso, até mesmo o seu lançamento foi realizado de forma bastante limitada nos cinemas americanos, como já era um costume  das produções da New Word Pictures, porem o seu lançamento no mercado de home vídeo no final da década de 80 popularizou bastante a produção que naturalmente tornou-se Cult e conquistou uma legião de fãs, tanto é que atores como Michael Moriaty e Scot Bloom são lembrados até hoje como os personagens David e o garoto Jason.

Os efeitos especiais de ‘a coisa’ também se mostram interessantes, afinal não precisa de muita coisa para fazer uma montueira de massa branca caminhar pelo chão, foram utilizados quilos de sorvete e iogurte além de massa de barbear, inclusive a cena onde a massa suga uma vitima para o teto foi feita da mesma maneira como foi filmada a cena da morte de Jonny depp em a hora do pesadelo.
A ideia do diretor e roteirista Larry Cohen em utilizar um produto industrializado como o grande vilão a assolar a população foi muito inventiva, inclusive assistindo ‘a coisa’ nos dias atuais fica nítido o quanto a mensagem do filme fica clara em mostrar que a população pode ser facilmente enrolada com um produto saboroso e com grande apelo e marketing comercial, afinal você ai procura saber quais são os ingredientes que compõe a sua sobremesa favorita? Correria atrás dessa informação? E será que conseguiria essas informações facilmente? E se descobrisse algo incomum será que ao tentar desmascarar a empresa sofreria represálias?, afinal de contas esse tipo de negócio envolve muitos interesses comerciais concorda?
Pois é, não é que eu queira pairar essa duvida, mas concordemos que com as atuais e agressivas campanhas de marketing industrial aliada à concorrência de mercado, o conceito deste filme torna-se ainda mais atual, alias grande destaque para as cenas onde é realizada as diversas camadas de propaganda da sobremesa ‘the stuff’, muito embora o filme se passe nos anos 80, é sensacional a forma como é abordado à agressiva campanha de marketing do doce, fica nítido o quanto convincente ficou.  
Enfim, ‘a coisa’ como já foi dito não trata-se de nenhum grande clássico, mas é um filme memorável pela forma como abordou o seu tema, e ainda afirmo que poucos filmes da década de 80 permanecem com uma história tão atual como esta, que nos dias atuais e nas mãos de idealizadores com um mínimo de visão poderia tornar-se um grande filme.  
Observação: antevendo a moda atual, a coisa tem uma pequena e divertida cena pós-créditos.

A Coisa
titulo original: The Stuff
elenco: Andrea Marcovicci(Nicole), Danny Aiello (Vickers) Paul Sorvino (Colonel Malcolm Grommett Spears) Michael Moriarty, Garrett Morris ('Chocolate Charlie Hobbs) Alexander Scourby (Evans), Russell Nype (Richards) Scott Bloom (Jason), James Dixon(Postman) Catherine Schultz (Waitress), James Dukas (Gas Attendant) Peter Hock (Miner) Patrick Dempsey (Underground Stuff buyer)
Gênero: Terror
Direção: Larry Cohen
Roteiro: Larry Cohen
Produção: Paul Kurta
Fotografia: Paul Glickman
Trilha Sonora: Anthony Guefen
Duração: 93 min.
Ano: 1985