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domingo, 2 de junho de 2013

A COISA (1985)

Sempre tem aqueles filmes que a gente assiste na infância e fica marcado eternamente na memória, na maioria das vezes você assistia e pensava: puts que filme da hora, e depois de alguns anos quando assiste novamente sob um olhar mais amadurecido analisa e chega à conclusão: não era tudo isso que eu achava, mas ainda assim é uma história interessante. Esse é o caso de ‘a coisa’ também bastante conhecido como ‘the stuff’ seu titulo original.

Recordo-me como se fosse hoje que no inicio da década de 90 esse filme passou inúmeras vezes no extinto cinema em casa do SBT, e eu sempre que podia assistia, ou seja: quase todas as vezes que repetidamente reprisava esse pequeno clássico produzido pela New World Pictures, produtora acostumada a desenvolver produções de baixo orçamento que envolviam características de terror e comédia, a maioria de seus filmes ficou em um esquecimento eterno, porem outros como Piranha e corrida da morte ano 2000 seguiram crescendo como clássicos contemporâneos.
A criativa história inicia com um homem descobrindo uma substancia cremosa borbulhando do chão, ao experimentar o condimento percebe que trata-se de uma massa agradável que se assemelha a um iogurte ou sorvete, mais tarde a história avança com um grupo de industriais que contratam David (Michael Moriaty), um ex-agente do FBI que tornou-se um sabotador industrial, sua missão e descobrir do que se trata o tal the stuff que surgiu no mercado e rapidamente tornou-se febre de consumo entre a população dos EUA prejudicando diretamente as vendas de sorvetes, iogurtes e derivados no mercado.
Ao aprofundar suas investigações David logo descobre que o tal the stuff tinha segredos muito maiores envolvendo sua origem, e entra em uma espécie de teoria da conspiração ao lado de Charlie (Garret Morris), ambos acabam descobrindo que o stuff na verdade é um parasita que ao ser ingerido pelo ser-humano passa a controlar o seu cérebro transformando a pessoa em uma espécie de zumbi alimentando-se do seu cérebro e órgãos deixando o corpo humano oco (realmente inacreditável não?).
Ao mesmo tempo o garoto Jason (Scot Bloom) também percebe que a sobremesa tem vida e percebe o quanto a mesma afeta a sua família que consome o stuff exageradamente,  logo o garoto seria resgatado por David e completaria o trio de heróis junto com Nicole (Andrea Marcovicci) que depois de ser a criadora da campanha de marketing que ajudou a popularizar o stuff, passa a combater a sobremesa-alienígena além de servir como par romântico de David.
O elenco de ‘a coisa’ é um dos pontos que dão sustentação a maior parte do filme e até mesmo ajudam a engolir os muitos buracos do roteiro, a começar pelo veterano protagonista Michael Moriaty que sempre foi figura conhecida na TV americana tendo realizado series como holocaust no fim dos anos 70 diversos filmes para a TV como The winds of kitty hawk, o ator consegue transitar bem entre a seriedade e o humor conseguindo ser uma figura carismática dentro do filme, já o seu par romântico interpretado por Andrea Marcovicci que tinha contracenado recentemente no sucesso ‘os eleitos’ não faz mais que o obvio, alias a química entre ela e o personagem de Moriaty é extremamente forçada, do nada o casal passa a se beijar a agir como se conhecessem há anos sendo que haviam acabado de estar juntos, ah se a vida fosse assim...
Mas as grandes apostas da New Word para emplacar o sucesso de ‘a coisa’ foram às presenças do na época popular comediante do Saturday Night Live, Garret Morris e o veterano ator Paul Sorvino que interpretou o durão coronel Spears, além de uma pequena participação do também veterano Danny Aiello.
A coisa jamais ficou marcado como um grande sucesso, até mesmo o seu lançamento foi realizado de forma bastante limitada nos cinemas americanos, como já era um costume  das produções da New Word Pictures, porem o seu lançamento no mercado de home vídeo no final da década de 80 popularizou bastante a produção que naturalmente tornou-se Cult e conquistou uma legião de fãs, tanto é que atores como Michael Moriaty e Scot Bloom são lembrados até hoje como os personagens David e o garoto Jason.

Os efeitos especiais de ‘a coisa’ também se mostram interessantes, afinal não precisa de muita coisa para fazer uma montueira de massa branca caminhar pelo chão, foram utilizados quilos de sorvete e iogurte além de massa de barbear, inclusive a cena onde a massa suga uma vitima para o teto foi feita da mesma maneira como foi filmada a cena da morte de Jonny depp em a hora do pesadelo.
A ideia do diretor e roteirista Larry Cohen em utilizar um produto industrializado como o grande vilão a assolar a população foi muito inventiva, inclusive assistindo ‘a coisa’ nos dias atuais fica nítido o quanto a mensagem do filme fica clara em mostrar que a população pode ser facilmente enrolada com um produto saboroso e com grande apelo e marketing comercial, afinal você ai procura saber quais são os ingredientes que compõe a sua sobremesa favorita? Correria atrás dessa informação? E será que conseguiria essas informações facilmente? E se descobrisse algo incomum será que ao tentar desmascarar a empresa sofreria represálias?, afinal de contas esse tipo de negócio envolve muitos interesses comerciais concorda?
Pois é, não é que eu queira pairar essa duvida, mas concordemos que com as atuais e agressivas campanhas de marketing industrial aliada à concorrência de mercado, o conceito deste filme torna-se ainda mais atual, alias grande destaque para as cenas onde é realizada as diversas camadas de propaganda da sobremesa ‘the stuff’, muito embora o filme se passe nos anos 80, é sensacional a forma como é abordado à agressiva campanha de marketing do doce, fica nítido o quanto convincente ficou.  
Enfim, ‘a coisa’ como já foi dito não trata-se de nenhum grande clássico, mas é um filme memorável pela forma como abordou o seu tema, e ainda afirmo que poucos filmes da década de 80 permanecem com uma história tão atual como esta, que nos dias atuais e nas mãos de idealizadores com um mínimo de visão poderia tornar-se um grande filme.  
Observação: antevendo a moda atual, a coisa tem uma pequena e divertida cena pós-créditos.

A Coisa
titulo original: The Stuff
elenco: Andrea Marcovicci(Nicole), Danny Aiello (Vickers) Paul Sorvino (Colonel Malcolm Grommett Spears) Michael Moriarty, Garrett Morris ('Chocolate Charlie Hobbs) Alexander Scourby (Evans), Russell Nype (Richards) Scott Bloom (Jason), James Dixon(Postman) Catherine Schultz (Waitress), James Dukas (Gas Attendant) Peter Hock (Miner) Patrick Dempsey (Underground Stuff buyer)
Gênero: Terror
Direção: Larry Cohen
Roteiro: Larry Cohen
Produção: Paul Kurta
Fotografia: Paul Glickman
Trilha Sonora: Anthony Guefen
Duração: 93 min.
Ano: 1985

quinta-feira, 31 de março de 2011

CANNIBAL HOLOCAUST (1980)

Nunca fui um fã de filmes sobre canibais, a grande maioria contem um roteiro fraquíssimo e atuações fajutas, o tema por si só já é batido ao pé de sua letra e as gerações atuais bem provavelmente nem viram nada do tipo já que há decadas o tema não engrena nada de interessante, porem um dos grandes clássicos do horror de todos os tempos bebe desta fonte, trata-se do pesado cannibal holocaust, titulo que jamais fora lançado no Brasil e tem uma legião de seguidores ao redor do mundo.
Cannibal Holocaust narra a jornada do professor Harold Monroe (Robert Kerman) que ruma para um distante condado em plena selva amazonica obcecado em descobrir o paradeiro de quatro jovens documentaristas que um ano antes seguiram para o mesmo destino e não mais retornaram.





Durante a jornada o professor embrenha-se na perigosa selva junto de um caçador e um guia nativo conhecendo a bizarra cultura indígena e até interagindo com as tribos locais, após achar alguns objetos dos jovens em meio aos índios Monroe finalmente depara-se com o que era quase obvio, a ossada dos documentaristas e o rolo de fita das filmagens intacto, este tornaria-se o enredo do filme onde o professor Harold retorna a Nova York e trabalharia em cima do conteúdo resgatando as ultimas horas da equipe de documentaristas assassinada pelos índios, porem quanto mais Harold avança nos vídeos mais se da conta dos terríveis feitos cometidos pela jovem equipe em terras indígenas praticamente sentenciando suas prematuras mortes.
Sem jamais poupar no chocante e quase que forçando cenas de morte de animais combinado a ritos dos indígenas e violência desmasiada, o diretor Rugero Deodato criou uma das obras mais violentas se não a mais violenta do cinema, porem o que mais agrada em Cannibal Holocaust é a originalidade do roteiro onde jamais vemos serial killers ou monstros assassinos, é apenas a realidade violentada pela realidade, o tom documentarista imposto por Deodato torna tudo mais sinistro e arrebatador ainda, exemplo crasso foi o diretor chegar a ser preso dias após a estréia do filme acusado de colaborar com a morte real dos atores, pra piorar Deodato obrigou todo o elenco a assinar um contrato de sigilo onde todos deveriam ficar fora da mídia pelo próximo ano, foi preciso chamar todo mundo as pressas para provar o contrario.
Enfim, Cannibal Holocaust é o tipo de obra que é preciso ver pra crer, obviamente que não agradara a todo mundo, até mesmo quem gosta de filmes de horror deve criticar o longa devido as mortes de animais reais e etc., porem não pode-se negar que o filme de Deodato é de uma originalidade surreal alem da maquiagem ter sido primorasamente feita e as atuações convincentissimas do quarteto de jovens documentaristas, podemos considerar Cannibal Holocaust como grande pai de recentes sucessos como a bruxa de Blair e quem sabe avô do bem sucedido horror espanhol 'rec'.


Cannibal Holocaust

Cannibal Holocaust, Itália, 1979, 95 minutos
Direção: Ruggero Deodato
Roteiro: Gianfranco Clerici
Elenco: Robert Kerman (professor Harold Monroe), Francesca Ciardi (Faye Daniels), Perry Pirkanen (Jack Anders), Luca Barbareschi (Mark Tommaso) e Gabriel Yorke (Alan Yates)


quarta-feira, 30 de março de 2011

CARRIE A ESTRANHA (1976)

Falar sobre clássicos do cinema trata-se de uma grande complicação pois já existem críticos ferrenhos que impuseram ao longo dos anos boas dissertações a respeito da obra portanto é algo diferenciado, Carrie ou conforme nosso titulo por aqui: carrie a estranha é um dos mais renomados horrores da historia do cinema e também motivo de curiosidade pois é um dos poucos filmes de horror (sempre foi classificado neste gênero e eu também defendo) que normalmente conta com admiradores de todos os gêneros, fato que qualquer um que o tenha conferido logo se da conta do porque.



Baseado no primeiro best seller publicado pelo (hoje) mega, super, ultra-escritor de contos de horror, o mestre Stephen King, Carrie narra a historia da adolescente titulo, uma jovem que fora criada praticamente escondida da sociedade pela mãe (Piper Laurie) uma religiosa fanática que nunca mediu esforços para manter a filha completamente à parte das atividades de qualquer adolescente de sua idade, logo na introdução o longa nos apresenta carrie como uma garota desajeitada mas que esconde misteriosos poderes paranormais, porem este fato apenas ajudava com que a garota cursasse um caminho totalmente contra o das garotas de sua época, seu atraso social pode ser medido na seqüência seguinte a introdução onde em uma cena pesadíssima a adolescente sofre a primeira menstruação durante o banho no vestiário da escola e começa a berrar desesperadamente sem se dar conta do que ocorria ali, a situação foi alvo cômico por parte das colegas de classe e acarretou em uma severa punição a todas as garotas envolvidas criando duas diferentes e cruciais situações: Sue (amy Irving) ficou sensibilizada com a situação de Carrie e decidiu fazer com que seu namorado Tommy (William Katt), um dos rapazes mais disputados pelas garotas na escola levasse Carrie no baile de formatura, em contrapartida Chris (Nancy Allen) não aceitou as exigências impostas pela professora de educação física devido á brincadeira com Carrie no vestiário e ficou fora do baile de formatura, ao saber dos bondosos planos de Sue para Carrie a garota junto com seu namorado (John Travolta meses antes de estrear nos cinemas mostrado seus dores dançantes em embalos de sábado à noite, portanto um desconhecido) arquiteta uma cruel vingança a pobre Carrie.


O resultado desta vingança foi uma das mais marcantes seqüências da historia do cinema de horror pois a vingança de Carrie foi algo drástico e aterrador onde nem a própria garota se dava conta do que seus poderes eram capazes, o banho de sangue (literalmente vindo das duas partes) tornou-se uma das mais violentas seqüências da década de 70 e foi severamente criticado por muitos críticos da época, o uso do efeito tridimensional, ou seja, várias telas se abrindo e mostrando várias coisas acontecendo ao mesmo tempo para o espectador foi excepcionalmente utilizado. Voltando para sua casa, tem de enfrentar sua mãe, em outra seqüência espetacular de suspense, terror e violência.

Carrie é o que chamo de um filme completo pois conta com toda a densidade exigida para os grandes e marcantes clássicos porem não deixa de lado o seu lado sombrio, méritos do brilhante diretor Brian de Palma que não se conteve as criticas da época e concebeu a extraordinária seqüência do baile de formatura, foi ainda através de Carrie que de Palma entrou definitivamente no hall de grandes cineastas de Hollywood assumindo projetos de grande orçamento, obviamente que não poderia deixar de citar a magnífica atuação de Sissy Spacek como a sofrida Carrie White, transformando a personagem em um ser totalmente próximo do público e freqüentemente sensibilizando a platéia, o desfecho de Carrie é algo que sempre me aterrorizou desde a 1º vez que conferi o longa, porem na ultima vez que assisti penso que talvez tenha sido desnecessário, imagino Carrie como um desses contos de fadas como a bela adormecida ou a bela e a fera, porem penso que apenas o sonho da donzela não se realizou, apenas aconteceu o contrario, e do ponto de vista da obra original de Stephen King, Carrie nunca foi uma vilã, é apenas uma vitima da sociedade como um todo, ainda assim na minha humilde opinião continuará sendo uma obra que beira a perfeição.



Observação: Este longa ganhou uma curiosa e boa seqüência 22 anos depois intitulada no brasil como 'a maldição de Carrie' onde inclusive retorna a atriz amy Irving no mesmo papel de Sue lidando com uma situação semelhante ao que vemos neste longa.
Carrie a estranha


Carrie a estranha
Título Original: Carrie
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1976
Estúdio: Redbank Films
Distribuição: United Artists / MGM
Direção: Brian de Palma
Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseado em livro de Stephen King
Elenco: Sissy Spacek (Carry White), Piper Laurie (Margaret White), Amy Irving (Sue Snell), William Katt (Tommy Ross), John Travolta (Billy Nolan), Nancy Allen (Chris Hargenson), Betty Buckley (Srta. Collins)